Preguiça-real

(Choloepus hoffmanni)

Outros nomes comuns

Unau

Taxonomia

Ordem: Pilosa
Família: Megalonychidae

Descrição

Esta preguiça mede entre 50–70 cm de comprimento, entre a cabeça e o corpo, possui uma cauda vestigial de 1,4–3 cm e pesa entre 2,7–10 kg. Os braços e pernas são longos e possuem quase o mesmo comprimento. As duas garras das mãos e as três garras dos pés medem cerca de 5–6,5 cm, enquanto que os pelos do corpo variam de amarelado, loiro, bege ou bronzeado ao marrom claro em adultos. Contudo, a coloração do corpo pode parecer esverdeada por conta das algas que crescem em seus pelos. O rosto é geralmente mais claro que o restante do corpo e os pelos são mais curtos e finos na face e garganta, do que os do pescoço e ombro.

Distribuição

Choloepus hoffmanni apresenta duas populações disjuntas. A população do norte distribui-se do sul de Honduras até a América do Sul, onde é encontrada a oeste da Cordilheira dos Andes, desde o noroeste da Venezuela,  Colômbia até o noroeste do Equador. A população sul é encontrada a leste da Cordilheira dos Andes, desde a região centro-norte do Peru e o sudoeste da Amazônia Brasileira até o norte da Bolívia. Sua distribuição dentro do território Brasileiro não é ainda clara, e mais estudos são necessários.

dieta

A Preguiça-real é herbívora generalista. Sua dieta consiste principalmente de folhas, frutas, brotos de flores, extremidades de galhos, talos jovens, seiva de algumas árvores e aparentemente algum material animal. Na Costa Rica, esta espécie foi observada utilizando 34 diferentes espécies de árvores como alimento.

Reprodução

Esta preguiça reproduz-se ao longo de todo o ano. A gestação é longa e dura cerca de 340–378 dias, sendo que as fêmeas dão à luz um único filhote a cada 15 meses, aproximadamente. Os filhotes são dependentes das mães por mais de 200 dias.

Fatos curiosos

Diferente das preguiças do gênero Bradypus, as espécies do gênero Choloepus possuem grandes dentes caniniformes (semelhantes aos dentes caninos de outros mamíferos) os quais são utilizados tanto em comportamentos de defesa como de embate.

Habitat e Ecologia

Choloepus hoffmanni ocorre em florestas tropicais de planície e de montanha. Na América Central, ocorre em florestas tropicais úmidas semi decíduas e perenes, bem como em florestas secundárias, sendo contudo ausente ou raramente encontrada em florestas secas de planície. Na Costa Rica, consegue utilizar área de plantio de cacau (Theobroma cacao) como habitat e frequentemente se aventura em áreas relativamente abertas, como pastagens, à procura de árvores isoladas para se alimentar. Na Nicaragua, esta preguiça foi registrada em campos secos com arbustos e árvores.

Estas preguiças são arborícolas, noturnas e nomeadamente solitárias. Podem se mover até 300 m por noite. A área de vida é em torno de 2,5–21,5 hectares e pode variar bastante, especialmente entre os machos; em fazendas de cacau na Costa Rica, machos adultos apresentaram áreas de vida que variaram entre 1,1–139,5 hectares. A densidade populacional desta espécie observada na Ilha de Barro Colorado, Panamá, foi de 1,05 animais por hectare, 0,3 a 1,5 animais por hectare na região Andina da Colômbia, e de 0,2 a 0,83 indivíduos por hectare nas planícies do norte da Colômbia.

Ameaças

Ao que tudo indica não parece haver grandes ameaças á sobrevivência de C. hoffmanni ao nível global. Contudo, populações da região nordeste de área de distribuição, principalmente na Colômbia e América Central, tem sofrido redução significativa devido à intensa degradação e fragmentação do habitat. Além disso, estas preguiças são caçadas por comunidades locais. Na Colômbia, indivíduos caçados na natureza, principalmente filhotes, são vendidos como animais de estimação a turistas. Esta atividade ilegal tem crescido e é um motivo de preocupação devido ao seu impacto negativo nas populações silvestres desta preguiça.

Tendência populacional

Desconhecida.

Estado de conservação

Choloepus hoffmanni é classificada como de Menor Preocupação (LC) em vista de sua ampla distribuição, população presumidamente grande, sua ocorrência em inúmeras áreas protegidas, sua tolerância a um certo grau de modificação do habitat, e porque é improvável que as populações tenham reduzido rápido o suficiente para qualificar a espécie numa categoria de ameaça. Contudo, por causa do desmatamento corrente, a sub população do norte poderia provavelmente ser classificada como Quase Ameaçada.